http://10.47456/argumentum.v17.2025.50948
%20Finalizado%20publicado%2030%20dez.2025_arquivos/image004.jpg)
Formas do capital, riqueza
fictícia e exteriorização das crises capitalistas recentes
Forms of capital, fictitious wealth, and the externalisation of recent capitalist
crises
Paulo NAKATANI
https://orcid.org/0000-0002-1652-6598
Universidade Federal do Espírito
Santo, Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas,
Departamento de Economia,
Vitória, ES, Brasil
e-mail: paulonakatani@gmail.com
Marcelo Dias CARCANHOLO
https://orcid.org/0000-0002-3564-1276
Universidade Federal Fluminense,
Departamento de Economia
e do
Programa de Pós-Graduação em Economia,
Niterói, RJ, Brasil
e-mail: mdcarc@gmail.com
Mauricio de
Souza SABADINI
https://orcid.org/0000-0002-8719-3065
Universidade Federal do
Espírito Santo, Departamento de Economia e do
Programa de Pós-Graduação em Política Social,
pesquisador do CNPq, Vitória, ES, Brasil
e-mail: mauricio.sabadini@ufes.br
Resumo: O objetivo deste artigo é o de
identificar, a partir das formas funcionais do capital e de seus processos de
autonomização, em especial do capital fictício de Marx
(1985), as características e particularidades da riqueza e das crises
capitalistas recentes. Além de expor a constituição das formas do capital,
dialogaremos com alguns
indicadores que sinalizam para as expressões das crises capitalistas verificadas em fins do
século XX e início do século XXI.
Palavras-chave: Capital fictício. Crises. Riqueza fictícia. Capitalismo contemporâneo.
Abstract: This article
identifies the characteristics and
particularities of recent capitalist wealth and crises based
on the functional forms of capital and its processes of autonomisation
and Marx’s (1985) fictitious capital
in particular. In addition to explaining the constitution of the forms
of capital, it discusses some indicators that point to the expressions of
capitalist crises observed at the end of the 20th and beginning of the 21st
centuries.
Keywords: Fictitious capital.
Crises. Fictitious wealth.
Contemporary capitalism.
.
|
O |
objetivo deste
artigo é o de expor as formas funcionais do capital, em especial o capital
fictício (D-D’) de Marx (1985),
que, em seu contexto histórico, adquiriram particularidades no processo de acumulação capitalista atual. Estas especificidades sinalizam para contradições que se manifestaram em formato de crises ao longo das últimas
décadas do século XX e início do século XXI. Ademais, tomando como base,
principalmente, as formas clássicas de capital fictício, quais sejam, o capital
bancário, o capital acionário (ações) e os títulos da dívida, esboçaremos, a
partir de alguns indicadores, um panorama da riqueza e das expressões concretas
do capital fictício no seio do capitalismo mundial.
Mais precisamente, procuraremos especificar como a
crise capitalista se expressa através dos movimentos autonomizados do capital
na esfera financeira (sistema bancário, bolsa de valores)
e, principalmente, sob suas formas fictícias. Esses movimentos, que
aparecem sob a representação mais fetichizada do capital, o capital fictício
(Sabadini, 2024), dinheiro
que gera dinheiro, expandem a
acumulação de capital sem estarem mediados pela produção de valor e mais-valia
(Marx, 1985). Assim, todo capitalista que dispõe de dinheiro ingressa no
mercado financeiro comprando títulos ou capital na forma fictícia e o vendedor
dos títulos pode permanecer dentro do mesmo comprando outros títulos ou pode realizar
seus ganhos no ciclo D-D’, retirando D’ desse mercado e utilizando seja para
consumo, seja para acumulação de capital na forma produtiva ou qualquer outra
forma.
O capital fictício, que está no centro da
superacumulação do capital na forma monetária e do capital a juros, comanda de
forma significativa a dinâmica da acumulação capitalista na contemporaneidade, principalmente através dos grandes
gestores de capital
como a BlackRock ou outros grandes fundos, conforme
sinalizaremos em seguida.
Tomamos como ponto de partida das crises recentes
alguns fatores que já foram expostos em Piqueras e Dierckxsens (2018),
como o fato de que “[...] desde 1960 a superprodução de capital
passou a ser acumulada sob a forma de capital monetário [...]” (Piqueras; Dierckxsens (2018, p. 35) e que
[...] este período de
crise dá lugar a um novo período de relativa estabilidade e fechamento das
contradições anteriores do sistema mundial, uma nova fase de expansão, mas
também de explosões de crises conjunturais que brotaram por todo o planeta e se
mostraram como crises financeiras ao longo dos anos 1990 e 2000 (Piqueras; Dierckxsens, 2018, p. 38).
Por outro lado,
procuraremos avançar a partir do desenvolvimento das formas funcionais que o capital, enquanto
abstração, apresentado no Livro I de O capital, vai assumindo e revelando-se
nos Livros II e III como capital
em geral e múltiplas unidades
de capital industrial individual e suas
autonomizações, dialogando tais expressões com alguns
indicadores representativos do capital fictício na dinâmica capitalista
mundial.
O ponto de partida para entender todo o processo
de constituição e metamorfose do capital, seu movimento incessante pela busca de
valorização, pressupõe o tratamento realizado por Marx na seção I do Livro I de
O capital. Nela, Marx chama a
mercadoria de “[...] forma elementar [...]” (Marx, 1983, p. 45) da riqueza
capitalista, mas que é, também, a mais complexa, e que se expressa em
formas distintas. Ao longo dos três livros, ela é tratada
como mercadoria-comum/simples, mercadoria-serviço
e mercadoria-capital (Sabadini, 2023). O ponto de partida é a mercadoria e o
dinheiro, enquanto expressões do valor-capital, até a acumulação do capital e
suas leis.
O valor, enquanto valor-capital, deixa de ser
propriedade e passa a ser o sujeito, de adjetivo passa a ser substantivo, daí a substantivação do valor (Carcanholo R., 2011). De fato, o valor, já sob
a forma de valor-capital, “[...]
de simples adjetivo
das mercadorias, o valor converte-se em substantivo no ciclo do capital. Quando o valor não é mais
simples valor, mas valor-capital, enfrentamo-nos com a substantivação do valor”
(Carcanholo; Nakatani, 1999, p. 289).
Enfim, o movimento
do capital é regido pela lei geral da acumulação capitalista, cujo resultado
histórico é, por um lado,
a concentração e centralização de capitais. Apenas
como exemplo, as atualmente chamadas de Big Money movimentam enormes quantias,
como a BlackRock com US$ 13,4 trilhões em ativos em
2025 (BlackRock, 2025) e a Vanguard, US$ 10,1 trilhões em 2025 (Vanguard,
2025). Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) (2024), o total de ativos administrado pelas três maiores
gestoras de ativos,
BlackRock, Vanguard e State Street, em
2024, equivalia a doze vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e a uma
vez o PIB dos EUA, demonstrando seu poderio geopolítico e econômico.
No período histórico em que Marx escrevia, no entanto, as maiores empresas
financeiras eram os bancos;
as bolsas de valores ainda não eram tão importantes e o nível de capitalização
das empresas e dos ativos monetários e financeiros não tinha a mesma importância que atualmente. De qualquer
modo, os bancos
e os banqueiros da Inglaterra estudados por Marx,
já dispunham de um enorme
poder sobre o financiamento à acumulação de capital e realizavam continuamente
a conversão do dinheiro em capital a juros e em suas formas fictícias.
Mas, no Livro
I de O capital, cujo objetivo
era o desvendar da riqueza
capitalista, Marx tratava o capital em geral e sua relação
capital-trabalho, sem as funções próprias dos capitalistas individuais. Os
desdobramentos das formas funcionais do capital só aparecerão no Livro II,
publicado em 1885 por Engels. Na seção I desse livro, nos quatro primeiros
capítulos, as metamorfoses do capital
e seus ciclos particulares são apresentados, conforme
a figura 1 abaixo.
Figura 1 - Formas funcionais do capital
industrial
(1)
(2) (3)
D – M (Mp
– Ft) ... P ... M’ (M + m) – D’ (D + d)
Onde:
D = dinheiro, D’ = dinheiro valorizado,
M = mercadoria, M’ = mercadoria valorizada,
Mp = meios de produção,
Ft = força de trabalho,
P = produção,
(1) = D – M (Mp – Ft) = 1ª fase da circulação,
(2) = fase da produção,
(3) = M’ (M + m) – D’ (D + d) = 2ª fase da
circulação.
A primeira
fase da circulação (1) refere-se ao capital monetário ou capital dinheiro; P é
a fase da produção (2), capital produtivo, onde se produz a riqueza advinda da
produção da mercadoria, e a segunda fase da circulação (3) concerne ao
capital-mercadoria, onde se vende, se realiza o valor produzido e contido na
mercadoria.
Esse ciclo do
capital se desdobra, pois cada etapa possui, portanto,
sua própria fórmula. Para o capitalista produtor (2), por exemplo, o início do
ciclo se dá em P ... M’ – D’ – M ... P, já que ele inicia a sua atividade
produtiva utilizando os meios de produção e a força de trabalho para produzir
nova mercadoria. E cada unidade desta forma de capital pode ser representada
por uma empresa particular, mas não funciona de forma sincronizada pois
enquanto parte das empresas estão ainda na fase de constituição e implantação,
outras estão produzindo e vendendo suas mercadorias e muitas podem estar sendo
liquidadas.
Além disso,
as empresas se distribuem em distintos setores, desde a produção agrícola e a
extração mineral, para fornecer as matérias-primas industriais aos diversos
setores que processam as matérias-primas, até a produção de bens finais de
consumo. Além disso, há empresas que atuam na intermediação comercial,
financeira ou na prestação de serviços. Essas unidades particulares de capital
compram e vendem mercadorias e serviços entre si mesmas e cada unidade depende
de muitas outras unidades funcionando de forma entrelaçada, nos termos de Marx
(1984a). Em cada momento histórico do capitalismo, tais formas funcionais do
capital exerceram um maior ou menor poder de influência no ciclo geral, como no
período das políticas mercantilistas e na Revolução Industrial.
Durante o
período de transição do feudalismo para o capitalismo, por exemplo, a forma
predominante do capital era o capital comercial que, junto com o capital
usurário, Marx (1984b) chamava de formas antediluvianas do capital. Ao mesmo
tempo, as formas comerciais e usurárias do capital foram sendo determinadas
pela forma produtiva e, posteriormente, pela forma financeira no mundo
contemporâneo, conforme sinalizaremos a seguir.
2.1 A
autonomização das formas do capital
Será no Livro
III de O capital que Marx (1984b,
1985) vai apresentar, nas seções IV e V, as funções exercidas pelos
capitalistas no processo de especialização do capital, a sua autonomização. A
natureza dialética se manifesta, já que ele se autonomiza porque suas funções
passam a ser particulares, como as do capital de comércio de mercadoria, os
comerciantes de mercadorias, e o capital de comércio de dinheiro, os
comerciantes de dinheiro. Adicionalmente, aparece o entorno da concorrência
entre os capitalistas na busca pela apropriação da mais-valia e a noção de
lucro é dada como forma dissimulada da mais-valia (Carcanholo, R. 2003).
Na primeira
fase da circulação (1), o capital dinheiro se autonomiza na forma do capital a
juros e do capital fictício, de maior importância para os nossos propósitos. O
ciclo do capital a juros se expressa em D-D-M-D’-D’, dinheiro emprestado que
entra na produção criando valor e mais-valia, e no capital fictício, D-D’. O capital a juros, que recebe uma
fração dos juros cuja origem vem da mais-valia, significa assim uma exasperação
da lógica da apropriação de mais-valia, como se esta pudesse se autonomizar totalmente
frente à esfera da produção do valor. De fato, o proprietário do dinheiro
empresta esta mercadoria contra o pagamento de juros, e o capitalista ativo
pagará o principal da dívida (capital de empréstimo), acrescido dos juros, e o
que sobra da mais-valia produzida será apropriado na forma de lucro.
Já o capital fictício (D-D’) não passa diretamente
pela produção de mercadorias, sendo um desdobramento adicional no processo de
autonomização das formas do capital. O que preexiste não é o capital, mas a
expectativa hoje de que a mais-valia futura estará disponível para ser
apropriada sob distintas formas. Com base nessa expectativa, cria-se o capital
fictício, como um direito a apropriação futura de valor, que é transacionado
hoje, ao preço de mercado, que se relaciona com a taxa de juros (Carcanholo;
Sabadini, 2015). Portanto, a exasperação da apropriação é intensificada no
capital fictício, invertendo-se a lógica. A expectativa de apropriação futura
permite a criação de capital (fictício) hoje, que pode, inclusive, ingressar na
produção e efetivar a produção de mais-valia que se esperava. Não por outra
razão, Marx (1985) afirma que “[...] a formação do
capital fictício chama-se capitalização” (Marx, 1985, p. 11).
Dessa forma, o capital fictício em Marx não diz
respeito a um capital particular (financeiro) que atua em um mercado particular
(o financeiro), mas uma lógica de constituição de capital, atue onde ele atuar.
A nosso ver, a característica específica do capitalismo contemporâneo é
justamente o fato de que todo capital é constituído, com mais ou menos
mediações, sob a lógica de
valorização fictícia do capital, sob bases especulativas (Carcanholo M., 2021;
Gomes, 2015). Nascido a partir do desenvolvimento do capital a juros, o capital
fictício foi apresentado por Marx a partir de três formas: capital bancário,
títulos da dívida pública e ações (capital acionário). Dos tempos de Marx para
cá, outras formas de capital fictício também apareceram com o desenvolvimento
do sistema monetário e de crédito, como os derivativos. Tais formas e
representações serão tratadas no próximo item deste texto.
E na segunda
metade do século XX, após a reconstrução das economias destruídas pela Segunda
Grande Guerra e após os Trinta anos gloriosos de crescimento, tais
formas fictícias do capital marcaram profundamente os movimentos das crises
capitalistas. O desenvolvimento das forças produtivas, com a consequente
elevação da produtividade, gerou excedentes que não encontravam formas
rentáveis de acumulação e uma superacumulação de capital monetário.
A
superacumulação de capital produzida nos países desenvolvidos, que não
encontravam aplicações rentáveis, foi sendo acumulada em dólares no sistema
bancário da época, principalmente concentrados na City de Londres. Esse capital monetário acumulado foi sendo
convertido em empréstimos para os países subdesenvolvidos, através de um
processo chamado de multiplicação monetária, e expandido através do que foi
conhecido como os eurodólares e, posteriormente, de petrodólares. O primeiro
porque os recursos acumulados provinham principalmente das reservas dos bancos
centrais europeus, e o segundo, dos países exportadores de petróleo após a
brutal elevação dos preços decorrentes das guerras no Oriente Médio, em 1973 e
1979. No final da década de 1970, uma mudança na política monetária conduzida
por Paul Volcker, presidente do Federal Reserve, consistiu em uma brutal
elevação da taxa básica de juros nos EUA que foi seguida pela taxa de juros em
Londres. A consequência dessa política foi uma crise sem precedentes nos países
endividados, em particular da América Latina (Montoro, 2023).
No mesmo
período, a eleição de Ronald Reagan para presidente dos EUA e de Margareth
Thatcher como primeira-ministra do Reino Unido, permitiu a aceleração do fim de
um sistema internacional relativamente regulado, com controles de câmbio e de
movimento de capitais, para uma total desregulação e políticas econômicas
conhecidas como neoliberais, por todo o mundo. A implementação das políticas
neoliberais, decorrente do Consenso de Washington, era uma exigência do Fundo
Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial como condição para receber os
empréstimos necessários. Assim, entre as décadas de 1980 e 1990, ocorreu um
enorme crescimento do capital monetário disponível, devido à crise e
superacumulação de capital, que promoveu o surgimento de novas instituições
financeiras, como os fundos de pensão e de investimentos (Sauviat,
2004), que acelerou ainda mais a criação e expansão de novas formas de capital
fictício.
Mas, resumidamente, algumas características centrais
desta forma mistificada do capital são importantes de serem entendidas. Em
primeiro lugar, o capital fictício se desenvolve, aparentemente, de forma
totalmente independente da produção, já que sua busca é de se reproduzir sem a
mediação do trabalho, o sonho do capital e a sua própria contradição,
valorizar-se sem depender da força de trabalho. Embora isso seja verdadeiro do
ponto de vista individual, na totalidade ele exige uma maior produção de mais-valia
pelo capital produtivo, ou seja, uma elevação da exploração do trabalho. Em
segundo lugar, o capital fictício dissimula as relações com o processo real de
valorização, intensificando a autonomia desta forma de capital. Trata-se, como
visto, da exasperação da lógica do mero apropriar-se, como se a produção não
fosse necessária. Em terceiro lugar, submete-se à dialética real e fictícia,
pois, do ponto de vista individual ele existe, é real, podendo garantir aos
especuladores a apropriação de uma renda sob a forma de juros e/ou lucros, mas,
do ponto de vista da totalidade é inexistente, fictício, pois não gera valor e
mais-valia, não gera riqueza sistêmica, não tendo base produtiva, embora o
capital produtivo que produz a mais-valia, da qual parte será apropriada pelo
capital fictício, seja concreto e real (Gomes, 2015). O capital fictício, nesse sentido, apareceria como uma duplicação
(ficção) do capital real.
A dialética do capital fictício ainda se expressa do
ponto de vista da totalidade da circulação do capital. Se o capital fictício
não atua diretamente na produção de mais-valia, comparecerá no processo de
apropriação da mais-valia produzida, o que reforça a tendência à queda da taxa
de lucro. Por outro lado, o capital fictício contribui para reduzir o tempo de
rotação do capital total, elevando o que Marx chama na seção II do Livro II de
número de rotações do capital e, portanto, do que também chama de taxa anual
(periódica) do lucro, uma vez que permite ao capital produtivo encurtar o seu
tempo de rotação e elevar a produção de mais-valia por período de observação.
Este processo, via rotação do capital, atua como contratendência à queda da
taxa de lucro. Por um lado (disfuncional), o capital fictício reforça a
tendência à queda. Por outro (funcional), contrapõe-se a essa tendência. No
capitalismo contemporâneo, a tendência é que a funcionalidade predomine nos
momentos de aceleração da acumulação, enquanto a disfuncionalidade prevaleça
nos momentos de crise
(Carcanholo M., 2021).
Diante disso,
ao influenciar a dinâmica da acumulação capitalista, o capital fictício
interfere na valorização do capital, no processo de produção e reprodução
capitalista, sobretudo pelo fato de que ele sobrevive, em grande parte, dos
rendimentos esperados que advém da apropriação de valor em um futuro
determinado, quer seja pelos vencimentos dos títulos da dívida, ou dos
rendimentos, via dividendos, das ações. Ou seja, os direitos de apropriação são
comercializados hoje, sem que a riqueza tenha sido produzida no momento. Isso
não significa dizer, e é bom que isto fique claro, que o processo de
especulação não interfira na intensidade e exploração do trabalho. Pelo
contrário, o aumento da exploração do trabalho se faz necessário para
transferir e remunerar esta forma de capital que se sobrepuja na atualidade. Esta
configuração de capital também carrega consigo as suas contradições e,
portanto, crises, que apareceram, a partir das últimas décadas do século XX e
início do século XXI, como crises financeiras, tanto nos países capitalistas
subdesenvolvidos quanto nos desenvolvidos.
3 O
capital fictício e suas formas
Os tipos de
capital fictício apresentados por Marx, no final do século XIX, passaram por
profundas transformações e mudanças no último século. As conformações originais
tratadas no Livro III sofreram enormes modificações com o processo de expansão,
concentração e centralização do capital. Além disso, surgiram novas formas. Os
ciclos de expansão e crise do capital, durante o século XX e início do XXI,
foram fundamentais para a mudança no processo de influência das relações
comerciais e usurárias para as novas, primeiro no aspecto industrial e em
seguida nas formas fictícias do capital monetário. A seguir, apresentaremos
algumas delas que nos dão um panorama das expressões concretas do capital
fictício na economia mundial.
3.1 As
dívidas e a dívida pública, o capital acionário, o capital bancário e os
derivativos
Em suas
origens, a dívida pública consistia em empréstimos que as classes mais ricas
concediam aos governos que os utilizavam para pagamento de suas despesas. Marx
explica que o valor entregue na forma dinheiro era consumido, mas o título de
dívida permanecia (Marx, 1985). Assim, tornava-se em uma forma de riqueza
fictícia que não tinha mais fundamento real, mas gerava o direito de
apropriação de uma parte da nova riqueza produzida através da cobrança de
juros. A gestão dessa forma de riqueza foi sendo transferida para os bancos
centrais que surgiram com a transformação de bancos existentes ou a criação de
novos, pelos governos.
Os bancos
centrais criam moeda, atuando como banqueiro do governo, quando fazem o
pagamento de qualquer tipo de despesa pública e, também, comprando títulos de
dívida, sejam privados emitidos por unidades de capital ou públicos, quando os
empréstimos vencem e devem ser pagos. Quando recebem impostos, taxas,
contribuições e qualquer outro tipo de pagamento ao governo, ocorre um
cancelamento de moeda. Esse processo constitui a base de determinação da
quantidade de moeda necessária funcionando como meio de circulação. Todo
excesso é convertido, diariamente, em títulos da dívida pública, uma forma de
capital a juros e de capital fictício, no mercado aberto, em operações
compromissadas de Overnight. O Banco Central do Brasil, por exemplo,
realizou a média diária de R$ 2,11 trilhões em negócios a título de operações
de overnight compromissadas no mês de novembro de 2024 (Banco Central do
Brasil, 2024). Essa média diária correspondeu a 17,87% do PIB estimado para o
ano de 2024, em R$ 11,81 trilhões, ou 33,6% do total de R$ 6,28 trilhões em
títulos da dívida mobiliária no mercado, em dezembro de 2024 (Banco Central do
Brasil, 2025).
O
endividamento no capitalismo contemporâneo é uma indicação do volume de capital
fictício criado e em estoque, e isso só pode ser entendido do ponto de vista
dos credores que nesse caso costumam ser os bancos. Assim, esse endividamento
representa um compromisso assumido pelos devedores que garantem com o fluxo de
rendimentos esperados no futuro, salários dos empregados ou receitas das
empresas. Mas, esse endividamento é somente uma parcela do capital fictício
total, pois nele não se considera o estoque de capital acionário e nem os
derivativos, que trataremos mais adiante. A título de exemplificação, vejamos o
gráfico 1 seguinte, a dívida total dos EUA, centro do imperialismo mundial, em
relação ao PIB.
%20Finalizado%20publicado%2030%20dez.2025_arquivos/image009.gif)
Fonte: Gráfico elaborado pelos
autores a partir de dados obtidos do FMI,
Global Debt DataBase[1].
Nota: Dívida Total = Dívida de Empresas Não-Financeiras + Dívida Pública
Geral + Dívida das Famílias.
Observa-se um
crescimento da dívida total que vai dos anos 1950 (158,9%) até 2024 (337,4%),
sendo 2020 o de maior endividamento (370,52%). Tão ou mais importante que essa
expansão, é observar que o movimento de redução da dívida total iniciado nos
anos 1960 é interrompido em 1974, já como manifestação do início da crise
capitalista mundial, e aumento constante posteriormente. E isso também acontece
em escala mundial, pois, segundo Gaspar, Medas e Perrelli
(2021), esta dívida total passou de pouco mais de 100% do PIB para quase 300%
entre 1970 e 2020. A maior parte da dívida pública, como já vimos, corresponde
a uma parte do capital fictício total acumulado. Esse endividamento nunca é
amortizado e é continuamente substituído por novas dívidas normalmente acrescida
de juros. A dívida das famílias e das empresas não financeiras correspondem a
uma parte dos ativos ou créditos bancários e financeiros, que vão constituir
mais uma parte do capital fictício total acumulado pelos bancos.
Já o gráfico
2 mostra o crescimento da dívida bruta, também estimado pelo FMI, como
porcentagem do PIB entre 2001 e 2025, que representa o estoque de capital
fictício acumulado em títulos da dívida pública. Para termos uma ideia mais
precisa, o PIB mundial a preços correntes estimado para 2025 é de US$ 115,50
trilhões e a dívida em dólares correntes seria de US$ 211,35 trilhões.
Naturalmente, os credores, ou seja, os proprietários desses títulos de dívida,
são as famílias mais ricas, os grandes fundos gestores de capital, fundos de
investimentos e fundos de pensão. Assim como as outras formas de capital
fictício, a dívida pública constitui um estoque da parte do capital monetário
ocioso, que não encontrou ainda um espaço para acumulação nas formas reais, mas
pode a qualquer momento ser convertida em capital real. Para tanto, os títulos
devem ser convertidos em moeda e reconvertidos nas diferentes formas materiais
do capital industrial.
%20Finalizado%20publicado%2030%20dez.2025_arquivos/image011.gif)
Fonte:
Gráfico elaborado pelos autores a partir de dados obtidos do World Economic Outlook Database[2]
(World Economic and Financial Surveys,
2001-2025).
É de se
destacar também o percentual da dívida bruta das economias nomeadas de
avançadas e aquele das chamadas, de maneira superficial, de economias
emergentes e em desenvolvimento. Observa-se que, ao longo da série histórica,
as dívidas dos primeiros países sempre foram superiores às do segundo,
representando seus estágios diferentes de desenvolvimento econômico e de
vulnerabilidades externas.
Uma outra
forma clássica de capital fictício indicada por Marx são as ações, títulos de
propriedade, que cresceram significativamente com o desenvolvimento das forças
produtivas no contexto da IIa Revolução
Industrial. Como na dívida pública, o capital fictício na forma de ações
negociadas nas bolsas de valores também expandiu, com quedas nos momentos de
crise mais aguda. O gráfico 3 mostra esse comportamento relacionando a soma da
capitalização das empresas na bolsa de valores com o PIB acumulado e dividido
entre os países de renda mais elevada, os países membros da OCDE e os Estados
Unidos. Nota-se uma evidente evolução a partir dos anos 1990, com redução
acentuada na crise de 2007-2009.
Podemos
observar também que, como proporção do PIB, as empresas norte-americanas
apresentam maior porcentagem de capitalização do que nos outros dois grupos de
países, mesmo sendo parte deles. Esses dados representam o cálculo do capital
acionário em um determinado momento, normalmente no final do ano fiscal dos
países. Além disso, não devem ser considerados como um estoque pois seu
montante varia continuamente durante todo o período de operação das respectivas
bolsas e representam apenas as empresas de capital aberto com ações negociadas
nas bolsas de valores.
%20Finalizado%20publicado%2030%20dez.2025_arquivos/image013.gif)
Fonte: Gráfico elaborado pelos autores a partir de
dados obtidos do World Bank (1990-2022)[3].
No Brasil,
por exemplo, a informação é que o número de empresas listadas na bolsa é de
apenas 400, enquanto na NYSE (New York Stock Exchange) são cerca de 3
mil. Um indicador considerado importantíssimo e fundamental, o Índice de Preços
das ações, é calculado no Brasil pela variação ponderada dos preços de cerca de
65 ações das 60 empresas listadas, podendo ser substituídas periodicamente segundo
alguns critérios das respectivas bolsas. O resultado expresso pelo índice é
decorrente do aumento ou queda no preço de apenas uma pequena parte das ações
de uma empresa, a quantidade efetivamente posta à venda que, inclusive, pode
ser a descoberto, ou seja, o vendedor nem dispõe realmente das ações.
Por fim, é de
se destacar que as
ações, quando são colocadas à venda nas bolsas de valores, se desdobram no
capital real existente nas empresas em uma representação autônoma de riqueza
que é remunerada com dividendos e seu preço acaba sendo fixado pela
especulação, independentemente do valor da empresa. A soma do preço de mercado
das ações constitui uma nova forma de valorização das empresas, o capital
acionário.
Já em termos
monetários, o gráfico 4 mostra a evolução do valor de mercado das empresas nos
Estados Unidos e nas bolsas do mundo. O capital fictício mundial sob essa forma
passou de US$ 9,52 trilhões, em 1990, para US$ 93,69 trilhões em 2022 e o dos
Estados Unidos de US$ 3,09 bilhões para US$ 40,29 bilhões nos mesmos anos. Para
efeitos de comparação, o PIB mundial estimado em dólares correntes passou de
US$ 22.987,40
bilhões, em 1990, para US$ 101.770,91 bilhões em 2022, e o dos Estados Unidos
de US$ 5.963,14 bilhões para
US$ 26.006,89 bilhões, respectivamente.
%20Finalizado%20publicado%2030%20dez.2025_arquivos/image015.jpg)
Fonte: Gráfico elaborado pelos autores a
partir de dados obtidos do World Bank (1990-2022)[4].
Um outro
indicador importante é o do capital bancário, gráfico 5. O Banco de
Compensações Internacionais (BIS) registra e consolida dados sobre os ativos
bancários de quase 50 países do mundo, não representando a totalidade dos
bancos, mas são considerados os países mais importantes. Entre o final de 2013
e setembro de 2024, os ativos bancários cresceram de US$ 64,42 para US$ 105,06
trilhões, ou seja, cerca de 60%. O capital bancário é constituído por recursos
próprios dos banqueiros e por recursos de terceiros como depósitos e
empréstimos. A parcela dos recursos próprios utilizada na compra de seus meios
de produção, como edifícios, máquinas, equipamentos, constitui capital real,
mas o restante, juntamente com os recursos de terceiros, estará na forma de títulos
de dívida pública, dívida privada, ações, fundos de investimento, fundos de
pensão, além dos próprios empréstimos que realizaram através da criação
secundária de moeda. Infelizmente, o BIS não dispõe desses dados detalhados e
consolidados de forma a permitir uma separação aproximada do capital real e do
capital fictício.
Mas, deve-se
reforçar o fato de que os ativos bancários são constituídos por reservas monetárias,
empréstimos, aplicações em títulos e ações e ativos físicos dos escritórios,
agências bancárias e instalações. As reservas monetárias são constituídas por
moeda, ou promessas de pagamento, e os empréstimos são resultado de operações
em que os bancos criam o dinheiro para efetuarem os empréstimos. Assim, “[...] a maior parte do capital
bancário é, portanto, puramente fictícia e consiste em títulos de dívidas (letras
de câmbio), títulos de dívida pública (que representam capital passado) e ações
(direitos sobre rendimento futuro)” (Marx, 1985, p. 13).
%20Finalizado%20publicado%2030%20dez.2025_arquivos/image017.jpg)
Fonte: Gráfico elaborado pelos
autores a partir de dados obtidos do DataBIS
tópico Central bank statistics[5].
(https://data.bis.org/).
Finalmente,
os derivativos
são títulos ou contratos derivados de outros títulos. Vários contratos de
empréstimos, com diferentes riscos e taxas de juros, são reunidos em um único
contrato que são negociados no mercado. A remuneração desse derivativo
corresponde à uma partilha dos juros cobrados nos
contratos originais. Existem derivativos de contratos de câmbio, de taxas de
juros, de commodities, imobiliários e
os CDS (Credit Default Swap). O estoque
de derivativos em um momento é estimado por um valor nocional, pois o valor dos
contratos constitui apenas uma referência. O mercado global Foreign
Exchange, também conhecido como Forex, transaciona contratos de compra e
venda futura de moedas em que os ganhos e perdas dependem da variação nas taxas
de câmbio. Segundo o BIS, em abril de 2022, o volume médio diário de negócios
atingiu US$ 9,8 trilhões.
Apesar dos
derivativos serem muito antigos, com outros nomes, eles explodiram após o
aprofundamento das políticas neoliberais, que aumentaram a instabilidade
econômica e a volatilidade dos principais indicadores econômicos. O fim do
acordo de Bretton Woods, a posterior liberalização e descompartimentalização
dos mercados financeiros internacionais, aceleraram a circulação internacional
dos capitais.
Antes,
precisamos esclarecer que os valores apresentados no gráfico 6 são em dólares
nocionais, ou seja, do valor total do contrato negociado e não do valor efetivo
realizado no vencimento dele. Por exemplo, um contrato de venda futura de uma
tonelada de soja, ao preço de US$ 350,00, com prazo de 6 meses, significa que o
vendedor deve entregar a tonelada de soja ou pagar o preço dela no vencimento
do contrato. Se o preço for de US$ 400,00, o vendedor terá uma perda de US$
50,00. No mercado de derivativos de commodities
nem o vendedor tem o produto para entregar e nem o comprador deseja receber a
mercadoria. O que ambos estão efetuando é uma aposta sobre o preço no
vencimento do contrato. Se for maior, o vendedor tem a perda e o comprador
ganha e vice-versa. O valor nocional desse contrato é de US$ 350,00, mas o
valor efetivo realizado é de apenas US$ 50,00.
Assim, todo o
mercado de derivativos, constituído de muitas espécies de títulos sobre
qualquer ativo que possa ser desdobrado em um contrato novo, é a rigor um
grande mercado de apostas, ou um grande cassino mundial, potencializando o
poder especulativo do capital. Além disso, não compreende todo o mercado,
apresenta somente os mais importantes, a taxa de juros, de câmbio e crédito.
%20Finalizado%20publicado%2030%20dez.2025_arquivos/image019.gif)
Fonte: Gráfico elaborado pelos
autores a partir de dados obtidos do BIS[6], OTC derivatives outstanding, 2025.
O gráfico 6
nos sinaliza que, ao longo de apenas duas décadas e meia, o volume total de
derivativos saiu de US$ 95 bilhões, em 2000, para US$ 729 bilhões em 2024, um
aumento expressivo de cerca de 700%, tornando-se assim mais um indicador em
crescimento nas transações financeiras internacionais.
Outro mercado
de derivativos, extremamente volátil e totalmente especulativo, é o mercado
internacional de moedas ou Foreign Exchange
(FOREX), que funciona durante vinte e quatro horas por dia. Além disso, os
operadores podem comprar e vender ou trocar uma moeda por outra durante o mesmo
dia. Existem milhares de operadores ou também de robôs que operam por conta de
grandes fundos ou gestores de capital. Recebem diariamente um montante inicial
de moeda para ficar comprando e vendendo diferentes moedas e recebem uma
porcentagem dos ganhos obtidos. Esse mercado cresceu de forma exponencial e
explosiva, de US$ 206,00 bilhões em 1986 para US$ 9.843,14 em 2022. Os dados do
gráfico 7 são estimados a cada três anos pelo BIS para o mês de abril de cada
ano. Para tanto, agrega 55 países, sendo os mais importantes os Estados Unidos
e o Reino Unido, com quase 60% dos negócios.
%20Finalizado%20publicado%2030%20dez.2025_arquivos/image021.gif)
Fonte: Gráfico elaborado pelos autores a
partir de dados obtidos do BIS[7].
E para melhor
visualizarmos o que poderia se aproximar daquilo que se considera a
base/riqueza real, produtiva da economia, o Produto Interno Bruto (PIB),
observamos no gráfico 8 abaixo que sua taxa média de crescimento no mundo foi,
dos anos 1990 até 2023, de apenas 2,9%. Nos Estados Unidos, Alemanha e Japão,
elas foram de, respectivamente, 2,5%, Alemanha, 1,5%, e Japão, 1%, o que nos
indica, como sugerido ao longo de todo o texto, o diferencial de crescimento
das diversas formas de capital fictício, de um lado, e, de outro, da produção
real da economia.
%20Finalizado%20publicado%2030%20dez.2025_arquivos/image023.gif)
Fonte: Gráfico elaborado pelos autores a
partir de dados obtidos do World Bank[8].
A
manifestação destes diferenciais apareceu, ao longo das últimas décadas do
século XX e no decorrer do século XXI, sob a forma de crises financeiras, que,
na essência, são a expressão máxima das contradições e crises capitalistas, sob
formas particulares.
Considerações finais
O crescimento
da massa de capital fictício, conforme sinalizado, continuou depois do estouro
da bolha no mercado subprime
imobiliário dos EUA, em 2007, enquanto as taxas de crescimento do PIB não
acompanharam essa evolução. Dessa forma, o que originou a crise estrutural do
capitalismo contemporâneo, a produção excessiva de direitos de apropriação
(capital fictício) frente a uma produção de valor insuficiente para respaldar
esse crescimento, não só não se resolveu como se intensificou desde aquele
momento. A conclusão é que não apenas a crise capitalista não se solucionou,
como é bem possível que ainda vejamos novas etapas de sua manifestação, tão ou
mais intensas do que as que já passamos.
Mas, apesar
de nos concentramos nestas indicações, o crescimento desta massa de riqueza
fictícia não é o único aspecto. Como indicamos ao longo do texto, uma das
características centrais do capitalismo contemporâneo é o fato de que a
valorização deste capital fictício e da riqueza fictícia, em sua essência
especulativa, além de não sustentar a dinâmica da acumulação capitalista, já
que não gera valor e mais-valia, interfere diretamente nas demais partes
constitutivas do capital, como o produtivo e o comercial.
O percurso
indicado, desde o tratamento rigoroso das categorias teóricas, com base em
Marx, passando pela forma específica como as leis gerais de funcionamento do
capitalismo se expressaram a partir dos anos 1960, bem como pela evolução
concreta das distintas formas de capital fictício até os dias atuais, nos
permitem ter uma compreensão rigorosa da atual crise estrutural do capitalismo.
Este é o contexto que a humanidade vive atualmente, que nos ajuda a entender e
visualizar os limites e possibilidades de propostas de mudanças.
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BANCO
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Paulo
NAKATANI Trabalhou na
concepção e delineamento ou análise e interpretação dos dados; redação do
artigo ou sua revisão crítica; aprovação da versão a ser publicada.
Graduado em
Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Paraná (1971), D.E.A. em Système de L'économie Mondiale - Université de Paris X,
Nanterre (1981). Doutor em Ciências Econômicas - Université
de Picardie (1982) e pós-doutorado na Université Paris XIII (2002). Professor emérito da
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Marcelo
Dias CARCANHOLO Trabalhou na
concepção e delineamento ou análise e interpretação dos dados; redação do
artigo ou sua revisão crítica; aprovação da versão a ser publicada.
Graduado em
Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (1993). Mestre em Economia
pela Universidade Federal Fluminense (1996). Doutorado em Economia pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002). Atualmente é Professor Titular
da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense.
Mauricio
de Souza SABADINI Trabalhou na
concepção e delineamento ou análise e interpretação dos dados; redação do
artigo ou sua revisão crítica; aprovação da versão a ser publicada.
Graduado em
Economia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Mestre em Economia pela
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Doutor em Economia pela
Universidade Paris 1 - Panthéon Sorbonne (França).
Atualmente é professor do Departamento de Economia e do Programa de
Pós-Graduação em Política Social (PPGPS) da Universidade Federal do Espírito
Santo (UFES).
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Editoras
responsáveis
Silvia Neves Salazar –
Editora-chefe
Maria Lúcia Teixeira
Garcia – Editora
Submetido em: 16/11/2025. Aceito
em: 9/12/2025.
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Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
licença Creative Commons Attribution,
que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições
desde que o trabalho original seja corretamente citado. |
[1] A Global Debt DataBase pode ser acessada através do link: https://www.imf.org/external/datamapper/datasets/GDD.
[2] World Economic Outlook Database pode ser acessado através do link: https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2024/October/download-entire-database.
[3] A instituição World Bank pode ser acessada através do link: https://data.worldbank.org/indicator/CM.MKT.LCAP.GD.ZS?view=chart.
[4] A instituição World Bank pode ser acessada através do link: https://data.worldbank.org/indicator/CM.MKT.LCAP.CD?view=chart.
[5] Central bank statistics pode ser acessado através do link: (https://data.bis.org/topics/CBTA/data).
[6] A instituição BIS pode ser acessada através do link: https://data.bis.org/topics/OTC_DER.
[7] A
instituição BIS pode ser acessada através do link: https://data.bis.org/topics/DER/tables-and-dashboards/BIS,DER_D11_2,1.0.
[8] A instituição World Bank pode ser acessada através do link: https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.KD.ZG?view=chart.