Carbonatação mineral de escória de aço: uma revisão crítica sobre mecanismos, parâmetros operacionais e estratégias de valorização para sequestro de CO₂

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/bjpe.v11i4.49045

Palavras-chave:

carbonatação mineral, escória de aço, sequestro de CO₂, valorização de resíduos, parâmetros operacionais

Resumo

A indústria siderúrgica é uma das maiores responsáveis pelas emissões globais de dióxido de carbono (CO₂), respondendo por cerca de 7% a 9% do total mundial. Nesse cenário, a carbonatação mineral de escórias de aço surge como uma estratégia promissora para o sequestro permanente de CO₂ e também para agregar valor aos resíduos industriais. Este trabalho apresenta uma revisão cuidadosa e sistemática da literatura entre 2014 e 2024, explorando os mecanismos principais, o impacto de diferentes parâmetros operacionais e o potencial de aproveitamento da escória de aço carbonatada. A análise mostrou que, embora as escórias de forno panela (LF) e de forno básico a oxigênio (BOF) sejam as mais reativas, a eficiência na captura de carbono varia bastante dependendo das condições de operação. Métodos indiretos e a carbonatação supercrítica mostraram altos índices de sucesso, chegando a capturar mais de 90% e 41,9% do CO₂, respectivamente. Além disso, estudos realizados em escala piloto confirmam que essa tecnologia é viável, com eficiências que podem chegar a até 89,7%. Para obter bons resultados, é fundamental otimizar fatores como temperatura (entre 60°C e 90°C), a proporção líquido-sólido (L/S em torno de 4:1) e o tamanho das partículas da escória. Embora a pressão de CO₂ também influencie o processo, seu efeito pode variar: em alguns casos, pressões muito altas podem até diminuir a eficiência. Os produtos resultantes da carbonatação têm diversas aplicações na construção civil, atuando como agregados ou componentes de argamassa. Além disso, eles ajudam a melhorar a estabilidade volumétrica dos materiais e a imobilizar metais pesados, contribuindo para reduzir as emissões de CO₂ na fabricação do concreto — uma redução que pode chegar a até 30%. Por outro lado, ainda enfrentamos desafios, como a variabilidade na composição da escória e o alto consumo energético necessário para moagem. Para avançar nesse campo, é importante padronizar os métodos utilizados, otimizar os parâmetros de operação e incentivar projetos em escala industrial. Assim, poderemos aproveitar ao máximo o potencial da escória de aço como uma solução sustentável para descarbonizar o setor e promover uma economia mais circular.

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Biografia do Autor

  • Laura Loyola Marion Guio, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

    Graduada em Química Industrial pelo Instituto Federal do Espírito Santo.Mestranda em engenharia ambiental pela Universidade Federal do Espírito Santo. Experiencia na área de fisico-quimica, quimica analitica e instrumental. Realizei projetos de metal traço com uso de icp-oes e analise de medicamentos com infravermelho próximo.

  • Franciely Lorenzon Carvalho, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

    Doutoranda em Engenharia Ambiental pela UFES, com linha de pesquisa em Saneamento Ambiental usando Ecotecnologias. Pós-graduanda em Gestão da Inovação pelo IFES. Mestra em Educação em Ciências e Matemática pelo IFES (2023), com ênfase na interdisciplinaridade e CTSA. MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral (2019). Graduação em Engenharia Ambiental pela FAESA (2015). Experiência em Gestão Ambiental, Licenciamento, Certificação de Produtos, Gestão de Negócios, Soluções Baseadas na Natureza e Biotecnologia.

  • Larissa Bernardino Moro, Centro de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento - CPID

    Graduação em Ciências Biológicas - Faculdades Integradas São Pedro - FAESA (2005). Pós-graduada em Auditoria ambiental pela UCB. Mestrado em Produção Vegetal pela UFES (2009). Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente na linha de pesquisa Plantas Avasculares e Fungos em Análises Ambientais pelo Instituto de Botânica de São Paulo (2015)

  • Yuri Nascimento Nariyoshi, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

    Possui graduação em Engenharia Química pela Universidade Federal do Espírito Santo (2011) e Doutorado Direto em Engenharia Química pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (2016). Foi Professor Adjunto no Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade Federal do Espírito Santo (2016-2024), onde foi Presidente do Núcleo Docente Estruturante do Colegiado de Engenharia Química (2016-2017), Coordenador do Colegiado de Engenharia Química (2017-2019) e Subchefe deste Departamento (2018-2020). Atualmente, é Professor Adjunto no Departamento de Engenharia Ambiental do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Espírito Santo desde 2024, onde atua na área de Saneamento Ambiental, com ênfase em Tratamento de Águas Residuárias. Tem experiência na área de Engenharia Química e desenvolve pesquisas voltadas para o Tratamento de Águas Residuárias com Descarte Zero de Líquido, incluindo processos de separação com membranas, remoção de contaminantes por técnicas de cristalização e precipitação e processos oxidativos avançados. Foi contemplado com o prêmio de melhor trabalho na área de Engenharia de Separações e Termodinâmica (Prêmio Giulio Massarani) pelo XX Congresso Brasileiro de Engenharia Química em outubro de 2014 e recebeu menção honrosa como trabalho destaque na área de Engenharias na XXIX Jornada de Iniciação Científica da UFES pelo Programa Institucional de Iniciação Científica da UFES em dezembro de 2019. 

  • Jairo Pinto de Oliveira, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

    É Doutor em Biotecnologia (UFES) com Pós-Doutorado no Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos da USP. Professor Adjunto do Departamento de Morfologia da UFES, Professor Permanente do PPG Biotecnologia (Renorbio) e PPG Bioquímica. Coordenador do Centro Multiusuário de Microscopia Eletrônica da UFES (www.luccar.ufes.br), coordenador do Laboratório de Caracterização Ambiental do Centro de Pesquisa Inovação e Desenvolvimento do Espírito Santo - CPID (www.lacarcpid.com.br) e membro do Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen) da UFES. Tem dedicado o seu tempo no desenvolvimento de projetos de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico envolvendo aplicações de nanomateriais magnéticos e plasmônicos em sistemas biológicos (suporte de imobilização, carreamento, catálise e biosensores), assim como em projetos na área biotecnologia ambiental.

  • Sérvio Tulio Alves Cassini, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

    Graduação em Historia Natural e Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais UFMG (1975), Mestrado em Microbiologia Agrícola pela Universidade de São Paulo ESALQ-USP (1980) e PhD em Microbiologia Ambiental pela North Carolina State University NCSU-USA (1988). Professor Visitante da University of Tennessee Knoxville (UTK-USA) 1996-1997. Professor Adjunto Universidade Federal de Vicosa (UFV) 1975-1999. Professor Titular do Departamento de Engenharia Ambiental CT-UFES 1999-2024. Atualmente é aposentado e Professor Voluntario do Departamento de Enganhria Ambiental CT-UFES atudando no Programa de Pos GBraduação em Engenharia Ambiental. Coordenador do Programa de Pos Graduacao em Engenharia Ambiental PPGEA-UFES 2000-2006. Coordenador da Rede Nacional de Pesquisa em Lodos FINEP-PROSAB 2001-2003. Coordenador do Laboratorio LABSAN UFES 2000-2916. Coordenador do Laboratório LACAR do Centro de Pesquisa Inovação e Desenvolvimento (CPID) do estado do Espirito Santo 2018 atual. Lider de Grupo de Pesquisa CNPq em Saneamento e Biocombustíveis na Universidade Federal do Espirito Santo (UFES).Lider de Grupo de Pesquisa Microbiologia e Biotecnologia Ambiental. Membro do Comitê Editorial (Editorial Board) do Periodico Algal Research (Citescore 9.4 e IF 4.6 (2024) . Editor Associado do periódico Journal of Environmental and Analytical Toxicology. Revisor dos Periódicos Water Science And Technology (IWA), Bioresource Technology, World Journal Microbiology Biotechnology, Resources Conservation and Recycling Elsevier, Algal Research (Elsevier). Atua na área de Microbiologia Aplicada a Engenharia Sanitária principalmente com projetos na area de biorremediação e geração de biocombustíveis ( biodiesel, biogás e Biohidrogênio ) a partir de biomassa e residuos organicos (RSO).

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Imagem que apresenta um cata-vento de papel verde à esquerda e formas de nuvens em azul escuro com o texto “CO₂” à direita, todos posicionados sobre uma prateleira de madeira. Abaixo da prateleira, há um pequeno globo terrestre centralizado. O fundo é um degradê suave em tons de verde. Na parte superior, está o título do artigo “Carbonatação mineral de escória de aço: uma revisão crítica sobre mecanismos, parâmetros operacionais e estratégias de valorização para sequestro de CO₂”, junto com os nomes dos autores e o logotipo da Brazilian Journal of Production Engineering.

Publicado

04.12.2025

Edição

Seção

ENGENHARIA AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE

Como Citar

Guio, L. L. M., Carvalho, F. L., Moro, L. B., Nariyoshi, Y. N., Oliveira, J. P. de, & Cassini, S. T. A. (2025). Carbonatação mineral de escória de aço: uma revisão crítica sobre mecanismos, parâmetros operacionais e estratégias de valorização para sequestro de CO₂. Brazilian Journal of Production Engineering, 11(4), 328-340. https://doi.org/10.47456/bjpe.v11i4.49045

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